Quem Somos

 

O CETAP é uma organização da sociedade civil criada em 1986. Desde o início tem em sua constituição a participação de sindicatos de trabalhadores rurais, cooperativas, associações de agricultores familiares e movimentos sociais do Rio Grande do Sul. Constitui-se como entidade sem fins lucrativos, declarada de Utilidade Pública e com Fins Filantrópicos.
Sua criação foi motivada pela percepção e necessidade de mudança de uma realidade de crise sócio-ambiental cujas tendências apontavam para o agravamento. Na região do planalto gaúcho, a chamada “revolução verde” (que trouxera a “modernização conservadora” da agricultura) já apresentava seus efeitos mais dramáticos: o aumento das desigualdades sociais no campo associado à aceleração da degradação ambiental pelo processo agrícola (especialmente evidentes na erosão e contaminação do solo, na contaminação da água, dos alimentos e dos trabalhadores rurais, na erosão genética).
Diante disso, técnicos, agricultores e suas organizações buscaram na criação do CETAP um espaço para a construção de uma outra proposta tecnológica, de organização da produção e de desenvolvimento rural.
O CETAP tem a missão de contribuir para a afirmação da agricultura familiar e suas organizações, particularmente atuando na construção da agricultura sustentável com base em princípios agroecológicos.
Sua equipe de trabalho, composta por profissionais das ciências sociais, agrárias e da educação, orienta as ações por uma visão sistêmica nas unidades de produção e pelo conjunto de aspectos (econômicos, sociais, culturais e ambientais) que compõem a realidade rural, buscando que os agricultores sejam sujeitos de seu próprio desenvolvimento.

Agricultura ecológica

O trabalho de base tem como metodologia orientadora o acompanhamento, a formação e a assessoria a grupos de agricultura ecológica, buscando potencializar a cooperação e a capacidade de ação e reflexão dos agricultores como construtores de um outro modelo agrícola e de desenvolvimento rural sustentável. O manejo consciente e adequado dos agroecossistemas, preservando e melhorando a biodiversidade e a qualidade das águas e do solo, é princípio fundamental para uma agricultura de base ecológica, que produza alimentos saudáveis, garanta segurança alimentar e preserve o meio ambiente.
Para isso, são incentivados métodos e técnicas ecológicas para uso e multiplicação de sementes, manejo do solo, criação de animais, diversificação e consórcio de cultivos, sistemas agroflorestais, processamento de alimentos. No âmbito dos sistemas produtivos, está em curso uma agricultura que produz alimentos saudáveis, garante o sustento e dignidade da família agricultora e dos consumidores e preserva o meio ambiente, além de gerar novas oportunidades de trabalho e renda desde a produção dos alimentos até a mesa do consumidor.

Cultivando a Biodiversidade

A agricultura familiar é a principal geradora de trabalho no meio rural, maior produtora de alimentos da cesta básica dos brasileiros e tem grande eficiência econômica, o que é evidente na dinâmica do desenvolvimento em regiões onde a terra é melhor repartida em comparação com regiões de latifúndios. Além destas vantagens comparativas, a agricultura familiar tem a capacidade de manejar os recursos naturais de modo sustentável, mantendo e até melhorando a biodiversidade dos agroecossistemas.
Contrariamente às imensas extensões de monocultivo, a agricultura diversificada possibilita a extração de uma grande variedade de produtos e enriquece a flora e a fauna em espécies e variedades que garantem as condições para a agricultura e alimentação de hoje e do futuro, com maior qualidade de vida.
O CETAP incentiva e orienta para ações concretas de fomento da biodiversidade, seja nos cultivos e criações do conjunto das unidades de produção, seja em espaços da propriedade onde o consórcio de plantas tem atenção especial, nos quais se está implementando sistemas agroflorestais.

Comercialização alternativa e solidária

A organização de métodos e espaços para a comercialização direta de produtos ecológicos cresceram em demanda e experiências concretas, desafiando a criatividade das famílias, dos grupos e das organizações de apoio. Atualmente (meados de 2006), oito feiras ecológicas funcionam com assessoria do CETAP e coordenação compartilhada entre agricultores e instituições diversas. Sete feiras estão na região norte do estado e uma na região sul, em Bagé, a qual comercializa produtos dos assentados da reforma agrária.
As feiras são um avanço concreto e alternativo ao mercado convencional, pois contribuem para a mudança nas relações produção/consumo através da comercialização direta e solidária, oferecem produtos ecológicos, colaboram para a troca de conhecimentos, experiências e integração entre o mundo rural e o urbano. Portanto, vão muito além da oferta de alimentos sem agrotóxicos ou da simples agregação de valor econômico ao produto.
A partir delas, outras estratégias e canais de comercialização vêm sendo implementados: cestas de produtos entregues a domicílio, entrega de produtos em mercados e restaurantes, espaços fixos (entrepostos e pequenos armazéns), merenda escolar, etc.

Agroecologia, organização popular e desenvolvimento

O projeto estratégico do CETAP abarca um conjunto de ações que, integradas, procuram responder a uma concepção e perspectiva de construção do desenvolvimento local, de caráter popular e ecológico. São três os principais eixos de ação: agroecologia e desenvolvimento local (trabalho junto aos grupos de agricultores, suas comunidades e organizações locais), sistematização e socialização de experiências (reflexão sobre a prática, extraindo e socializando aprendizados) e formação e assessoria (educação sócio-ambiental, capacitação técnica e formação de lideranças para o desenvolvimento sustentável).
Tais proposições levam em conta a realidade global, o contexto sócio-ambiental no qual se insere a ação, os resultados já alcançados, a afirmação ou redefinição de objetivos a serem buscados. A elaboração e definição estratégica resultam da construção coletiva, através de debates que envolvem direção, equipe de trabalho e lideranças de grupos.
O trabalho de base está presente desde a criação do CETAP; e tem duas motivações que se complementam: a primeira é a busca de resultado concreto, com benefício direto no contexto onde se realiza (famílias, grupos, organizações envolvidas e meio ambiente); o outro é o sentido pedagógico e estratégico, ou seja, a partir do trabalho desenvolvido e enraizado no plano local, que seus resultados e metodologia sirvam de referência a movimentos sociais, entidades parceiras, agências de cooperação e (re) formulação das políticas públicas.
A construção de um sistema alimentar alternativo ao dos grandes complexos agroindustriais é de extrema necessidade para o avanço da agricultura sustentável, a manutenção da biodiversidade, a segurança alimentar e a qualidade de vida no campo e na cidade. A segurança alimentar (das famílias e comunidades rurais às populações dos grandes centros urbanos) depende, entre outros, da autonomia dos agricultores em relação às sementes e demais recursos genéticos, que precisam ser assegurados como patrimônio da humanidade.
Na perspectiva da construção social de um outro paradigma de desenvolvimento, o CETAP partilha da concepção de que o enfoque ecológico e uma visão humanista baseada na justiça e participação popular são princípios fundamentais. Com efeito, a organização e participação popular nas discussões e condução das ações têm sido cada vez mais desafiadoras, demandando a criação de espaços e metodologias inovadoras em termos de uma educação/pedagogia sócio-ambiental que efetivamente venha a promover as famílias e grupos sociais como sujeitos concretos e políticos da proposta.

Participação em redes e cooperação

A importância estratégica da agroecologia traz a necessidade do desenvolvimento institucional e da articulação de parcerias. Neste sentido, o CETAP participa de diversas redes e fóruns, entre eles a Rede Ecovida de Agroecologia, a Articulação Nacional de Agroecologia (ANA), a Associação Brasileira de ONGs (ABONG), o Movimento Agroecológico Latino Americano (MAELA) e a Rede Internacional Terra do Futuro.
Ações conjuntas e intercâmbios são importantes para a qualificação e ampliação da agroecologia, buscando construir hegemonia enquanto proposta para a agricultura. Em razão disso, a organização e a cooperação entre agricultores e grupos são tratadas com prioridade, de modo a que as articulações e parcerias fortaleçam a ação e influência em suas comunidades e regiões.
O CETAP desenvolve projetos apoiados por fundos públicos (federais, municipais, estaduais), em parceria com entidades da cooperação internacional  e parcela com recursos próprios.